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Casa dos Repuxos
Escavação:
Identificada ocasionalmente em 1907,
foi escavada entre Agosto e Outubro
de 1939 e depois, sob os mosaicos, a
partir de 1953. Sondagens parcelares
(Dir. Virgílio H. Correia) em 1990.
Documentação disponível:
Planta à esc. 1/100 de R. Monturet
(CNRS, Pau, 1980), subsequentemente
completado e revisto por Virgílio H.
Correia. Redesenhado por J. Luís
Madeira e publicado em CMRP I.
Caracterização sumária:
Ínsula de caracter residencial. Bibliografia
da escavação: Não se publicaram
relatórios de escavação. Toda a
arqueologia da casa foi tratada em
Oleiro 1992.
Outras referências:
Alarcão 1983, 202 e fig. 56; id. 1986, 75
e 100-101; id. 1988, 189-190; id. 1992,
54-59; id. 1998 I, 115-6 e II2, 99; Alarcão
et al. 1979, 890 e fig. 7; ibid. 1981, 69-71
e est. 1 e 11-16; ibid. 1986, 130; ibid. 1992,
143-158; Beeson 1993, 2-5; Correia 1997, 39-40 e 48 fig. 19; id. 1999,
16-17; DGEMN 1948 fig. 31-38; Etienne 1997, 276; Ferrão 1996, 206-207;
Oleiro 1965, 259-262; id. 1986, 113-118 e 125-127; id. 1992, 9-29; 1994a,
46-47; id. 1994b, 274 - 6; Oleiro et al. 1974, 17-21; Pedroso 1992, 159-166.

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A casa dos repuxos é um grande edifício residencial romano cuja construção
original, datada dos inícios do séc. I, se estendia por dois pisos, fazendo
dessa forma o aproveitamento de um declive natural da zona da cidade onde
se implantou, o que lhe permitia desenvolver duas fachadas independentes,
quase completamente aproveitadas para instalar pequenas lojas e oficinas.
Nos inícios do séc. II este edifício foi profundamente remodelado, desaparecendo
quase todas as lojas e oficinas, o piso inferior foi quase completamente
entulhado e no piso superior instalou-se a grande residência cujos restos
são actualmente visíveis.
A entrada da casa era feita através de um praceta, ornamentada por um arco
decorativo, e abria-se numa exedra, através da qual se acedia ao grande
vestíbulo. Outra entrada dava acesso directo a um longo corredor de serviços,
tendo-se mantido nesta zona da casa algumas pequenas divisões semi-independentes,
que terão tido uso comercial.
O vestíbulo abria para o peristilo central por três vãos, ladeados por outras
divisões. Concentra-se no peristilo a maior quantidade de painéis figurados
de mosaico, parte deles pertencentes ao programa original, outros fruto
de sucessivas reparações.
O peristilo central era a peça essencial da casa, decorado por caixotões
ajardinados construídos no implúvio, bordados de mosaicos e repuxos. Os
principais compartimentos da casa que para aqui abriam era a exedra a sul,
decorada por um mosaico representando temas marinhos e dionisíacos e o triclínio
a oeste, que por sua vez permitia ver o jardim através das janelas para
ele abertas sobre um tanque em U.
A norte do triclínio encontrava-se um conjunto de compartimentos que parecem
ter constituído a parte privada do senhor da casa. Os mosaicos aqui eram
de qualidade e temática notável e havia um acesso directo ao jardim. Conhece-se
ainda um outro peristilo secundário, mas a parte norte da casa ainda não
está completamente escavada.
O centro da área residencial da casa ficava a sul, uma série de quatro compartimentos
à volta de um pequeno peristilo com ninfeu, a que se acedia por um corredor
desde o canto sudoeste do peristilo central. Três dos compartimentos parecem
ter sido cubículos (o uso mais intenso de dois deles é testemunhado pelo
mau estado de conservação dos seus mosaicos); o maior, ornado com o mosaico
da caçada, foi provavelmente uma cenatio; aqui fica também o mosaico do
Sileno.
Para sudoeste ficava a zona de serviços: uma copa com acesso directo ao
triclínio; uma cozinha perto do acesso independente ao exterior; alojamentos
de pessoal e zonas de apoio ladeavam o jardim.

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